Com 111,5 mil pessoas renegociando dívidas pelo programa “Desenrola”, do Governo Federal, o Rio de Janeiro ficou em segundo lugar, atrás apenas de São Paulo, com 244 mil. Esses dados foram informados pelo Ministério da Fazenda, em coletiva de imprensa nesta quarta, 6, em que foi apresentado o Censo Nacional do programa “Desenrola”. 

Assine a Volver! para receber gratuitamente nossas reportagens  

Dos 5,571 municípios com público elegível para renegociações no programa, 5,491 renegociaram (98,6%). Além dos estados de SP (24%) e RJ (11%), Minas Gerais totalizou 80,2 mil pessoas(8%) que renegociaram dívidas, o terceiro estado com mais pessoas renegociando dívidas. Essas renegociações atendem apenas pessoas físicas, com renda de até R$ 20 mil e dívidas financeiras negativadas até 31 de dezembro de 2022, de acordo com o Ministério da Fazenda.

 

Perfil dos renegociantes

Dentre as 30,2 milhões de pessoas elegíveis para renegociar as dívidas, 53% eram mulheres, 43% homens e menos de 1% não quiseram informar gênero. Deste total, 54,8% das mulheres renegociaram as dívidas para 45,2% dos homens. 

A faixa etária com maior quantidade de pessoas endividadas ficou com adultos entre 35 e 44 anos (23,81%) e a menor faixa é entre jovens de 18 a 20, que totalizaram 1,5% dos elegíveis. 

 

Pessoas impactadas

Após quase 5 meses do programa Desenrola, o total de brasileiros que foram atingidos chegou a 10,7 milhões, que renegociaram o total de R$ 29 bilhões. Destes, a maior parte (9,7 milhões) foi atendida na primeira fase.  

De acordo com o  Secretário de Reformas Econômicas, Marcos Pinto, o dia D, 22 de novembro, em que houve um mutirão para a resolução dos casos,  foi o dia com maior quantidade de renegociações do programa: “isso mostra que a população está interessada e comprometida em renegociar as suas dívidas” e ressaltou que o grande desafio “é passar mensagem para a população, que o numero de pessoas elegíveis para a renegociação ainda é grande”. 

 

FOTO: Diogo Zacarias

 

De acordo com o ministério, para as renegociações realizadas por celular, o tempo médio de navegação é de 4 minutos: “Em quatro minutos ela navega na plataforma, encontra e renegocia as dívidas”, afirmou o ministério. E dos acordos feitos à vista, 75% eram pagos pelo pix e 25% por boleto. 

“As pessoas que acessaram a plataforma acharam simples negociar e houve surpresa com o nível de ofertas”, afirmou Marcos. 

 

Ainda durante a coletiva, o Secretário anunciou que o Ministério pretende criar uma Medida Provisória (MP) com duas ações para as próximas semanas: 

1º – Eliminar a lei que exige um certificado ouro ou prata no gov.br para realizar a renegociação: “É um ponto que pode causar algum entrave para as pessoas”, comentou o secretário. Contudo, perguntado sobre a diminuição destes métodos de segurança, ele ressaltou: “Estamos construindo um mecanismo que dê a segurança necessária, sem precisar passar pelo prata ou ouro. A gente quer manter a segurança sem precisar do mecanismo do governo.”

 

2º – Estender o prazo do programa, que acabaria no final deste ano, para março de 2024.

 

Setores com maiores renegociações

 

1º Serviços financeiros

R$ 3,3 bilhões

 

2º Securitizadoras

R$  513 milhões

 

3º Conta de luz

R$ 143 milhões

 

4º Comércio

R$ 213 milhões

 

5º Demais Setores (construtoras, locadora de veículos, cooperativas)

R$ 43 milhões

 

6º Educação

R$  53 milhões

 

7º Conta de Telefone

R$ 28 milhões

 

8º Conta de Água

R$ 8 milhões

 

9º Pequenas e Microempresas

R$ 4 milhões

 

Serviços não-financeiros totalizaram 148,8 mil pessoas atendidas, destas:   

 

Conta de luz

Valor original: R$ 143 milhões 

Descontos: R$ 52 milhões renegociados

Pessoas atendidas: 82, 3 mil 

 

Conta de telefone/ internet

Original: R$ 28 milhões

Desconto: R$ 6 milhões

Pessoas Atendidas: 59,3 mil

 

Conta de Água  

Original: R$ 8 milhões

Desconto R$ 2,3 milhões

Pessoas Atendidas: 7,2 mil