Mais da metade dos municípios brasileiros possuem baixa ou mínima resiliência para cenários de estiagem grave e seca, que já ocorrem com frequência devido às mudanças climáticas. Cerca de 58% das cidades se inserem nas duas piores avaliações para essa dimensão do Índice de Segurança Hídrica (ISH).
Para melhor gerir recursos hídricos e se preparar para a escassez que se impõe a cada ano, gestores públicos e comitês de bacias se preparam para avançar em metas, enquadramentos e monitoramentos dos corpos hídricos.
Levantamento da Agência Nossa com base em dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA) mostra que alguns estados brasileiros caminham mais lentamente que outros em monitorar sua água, enquanto a maioria das cidades se revela vulnerável às mudanças climáticas no que diz respeito à segurança hídrica. Veja na tabela abaixo.

Nossa análise da evolução do monitoramento da água mostra que nos últimos quatro anos registrados a maioria dos estados ampliaram seus pontos a taxas menores que 2% ao ano. Entre 2023 e 2024, a última comparação disponível, houve até mesmo redução no total de pontos monitorados no País segundo os dados da reguladora. O Rio de Janeiro, um dos estados com problemas mais graves de segurança hídrica, aumentou sua rede monitorada em menos de 1% ao ano de 2020 a 2024, e reduziu em mais de 10% no último ano.
Por outro lado, estados com mais pontos de monitoramento são os que apresentam forte concentração de mineração e indústria de transformação. Em Minas Gerais mineradoras são obrigadas a monitorar a água. São Paulo é o segundo estado com mais pontos. A rede do Mato Grosso do Sul foi a que mais cresceu, considerando inclusive sua base inicial pequena. Quanto mais pontos monitorados, mais informações estarão disponíveis para políticas públicas para enquadramentos, metas e outras ações que ajudam a viabilizar segurança hídrica.
Assine a Volver! para receber gratuitamente nossas reportagens
De acordo com o conceito da Organização das Nações Unidas (ONU), a Segurança Hídrica existe quando há disponibilidade de água em quantidade e qualidade suficientes para o atendimento às necessidades humanas, à prática das atividades econômicas e à conservação dos ecossistemas aquáticos, acompanhada de um nível aceitável de risco relacionado a secas e cheias.
Para construir o ISH municipal, a Agência Nacional de Águas (ANA) considera quatro dimensões de Segurança Hídrica (Humana, Econômica, Ecossistêmica e de Resiliência). Os indicadores têm seus valores classificados em cinco faixas de gradação, que consistem em mínimo, baixo, regular, alto ou máximo.
Leia também:
Rio tem 3o maior risco climático para desabastecimento e contaminação da água
Agronegócio reduzirá água de 90% das bacias do Cerrado se nada for feito
A dimensão ecossistêmica, que integra aspectos relacionados à qualidade da água e meio ambiente, sinalizando a vulnerabilidade de mananciais usados para abastecimento e usos múltiplos, revelou que, no último ano da avaliação desses dados, em 2024, cerca de 27% dos municípios encontram-se com nível de ISH mínimo.
No último ano avaliado pela ANA, 32,3% dos municípios foram classificados com ISH mínimo ou baixo na dimensão econômica, sendo que a maioria deles está na Região Nordeste e no sul do Rio Grande do Sul. A primeira se explica pela falta de chuvas suficientes e a segunda devido principalmente à elevada produção de arroz, que demanda muita água destinada à irrigação.
A partir da dimensão humana, que avalia a garantia da oferta de água para o abastecimento da população, 22,2% dos municípios brasileiros foram classificados com graus baixo e mínimo de ISH. Municípios nessas categorias de ISH são encontrados em todas as regiões do país, mas estão concentrados principalmente na Região Nordeste.

Seca que atingiu rios da Amazônia. Foto: Ricardo Sturcket/PR
É o caso também de cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, que possuem tanto a pior avaliação para a dimensão ecossistêmica como para a avaliação de consumo humano. O estado, contudo, não apresenta a pior avaliação para a dimensão econômica.
No último ano avaliado pela ANA, 32,3% dos municípios foram classificados com ISH mínimo ou baixo na dimensão econômica, sendo que a maioria deles está na Região Nordeste e no sul do Rio Grande do Sul. A primeira se explica pela falta de chuvas suficientes e a segunda devido principalmente à elevada produção de arroz, que demanda muita água destinada à irrigação.
De maneira geral, mais de 57% das cidades apresentam níveis elevados e altos de segurança hídrica. Municípios fora desta condição se concentram no Nordeste e em regiões metropolitanas, sobretudo no Rio de Janeiro.
Veja aqui como está a segurança hídrica do seu município