Para o empreendedor Gilberto Nobumasa, a preservação da floresta amazônica é intrínseca ao seu negócio. Seu empreendimento, uma agroindústria produtora de óleos e manteigas extraídos a partir de frutos da floresta, impacta mais de duas dezenas de pequenos produtores rurais e famílias ribeirinhas que atuam na coleta e produção de castanhas, frutos, óleos e manteigas. Localizada no município de Acará, no Pará, a FortParaOil sustenta cadeia coletora e produtora de frutos amazônicos por muitas outras cidades da região.
A FortParaOil está entre os 10 projetos de empresas, cooperativas, associações e organizações selecionadas nesta semana para receber investimentos e financiamentos do Fundo Flora, que apoia ações de restauração da floresta. O fundo é uma iniciativa do WRI Brasil e do World Resources Institute com gestão financeira da Sitawi Finanças do Bem. Juntos, os empreendimentos e organizações selecionados criarão mais de 210 empregos e beneficiarão mais de 4.000 pessoas.
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“O projeto Fundo Flora é uma importante parceria, porque vai potencializar e fortalecer o trabalho que já fazemos junto às comunidades para preservação da floresta”, pontua Nobumasa. Para ele, a iniciativa é importante não apenas pelo aspecto financeiro, mas também pelo apoio à capacitação no processo de preservação da floresta, além de fortalecer os conceitos de cooperação e bioeconomia.
Mário Zanelato, diretor-presidente da CCampo, uma cooperativa agroindustrial que trabalha na produção de hortifrutis, derivados de mandioca e frutas e polpas, acredita que a parceria com o Fundo Flora vai possibilitar a diversificação nas formas de cultivo.

“Vamos restaurar 15 hectares de floresta integradas à produção de açaí e cupuaçu, que são frutas nativas da floresta, além de enriquecer com outras variedades e agregar mais produtores à cooperativa. Não conseguiríamos fazer isso sem o apoio e capacitação do Fundo Flora”, comemora.
O objetivo do fundo é garantir a escala da restauração na floresta amazônica por meio de doações e financiamento acessível a organizações de base, que atuam na região de forma sustentável e que geram emprego. “Nosso objetivo é ampliar o acesso a financiamento climático e criar condições para uma restauração em escala que fortaleça uma economia sustentável na Amazônia”, diz Eduarda Thurler, gerente de Economia e Finanças da Natureza no WRI Brasil.
O Fundo Flora oferecerá, nesta primeira chamada, R$ 18 milhões. As organizações selecionadas prometem restaurar mais de 1.500 hectares, com mais de 1 milhão de árvores. Entre as organizações apoiadas, 60% estão envolvidas em cadeias de valor da bioeconomia, agregando valor de várias culturas arbóreas regionais, incluindo castanha-do-pará, açaí, cacau, andiroba e cupuaçu, ao mesmo tempo que fortalecem cadeias de valor complementares, como as de sementes nativas.

Conheça os projetos selecionados
A FortParaOil é uma agroindústria amazônica que atua na extração de óleos e manteigas de sementes nativas. Promove a inclusão produtiva e o empoderamento das comunidades, combinando geração de renda com regeneração ambiental. Opera com comércio justo, rastreabilidade e inovação para os setores de cosméticos e alimentos. Terá com meta restaurar 305 hectares de áreas degradadas por meio da regeneração natural assistida (RNA) e sistemas agroflorestais (SAF), envolvendo 20 famílias. O projeto inclui ampliação da estrutura industrial para processamento de óleos vegetais e fortalecimento da cadeia produtiva local, integrando regeneração ambiental e geração de renda.
Centro de Formação produção e Artes da Amazônia Conduru – Marabá
O Centro CONDURU e uma associação civil sem fins lucrativos criada em 2016 por jovens de área de Assentamentos e Acampamentos da região Sul e Sudeste do Estado do Pará. Tem como objetivos potencializar a formação para produção de conhecimento na área da pesquisa, cultura, educação, artes, agroecologia e produção de alimentos. O Centro CONDURO terá como meta restaurar 40 hectares de terras, consolidar viveiros comunitários e fortalecer a cadeia de restauração com foco em mulheres e juventude rural, aliando formação agroecológica e inclusão social.
IFT – Instituto Floresta Tropical Johan Zweede – Bragança, Cachoeira do Piriá e Oeiras do Pará
Com três décadas de atuação na Amazônia, o IFT que atua na formação em técnicas de manejo florestal de impacto reduzido (MF-EIR) e atende diversos públicos, entre eles trabalhadores da indústria madeireira, comunidades, produtores rurais familiares, estudantes de escolas técnicas e universidades. O IFT terá como meta promover a restauração de 60 hectares, incluindo para recuperação de áreas afetadas por incêndios florestais. A proposta integra capacitação técnica, manejo sustentável e fortalecimento das três cooperativas parceiras no projeto, que representam agricultores familiares e quilombolas.
Associação Brasil Popular – Abrapo – 7 municípios do Pará
A Abrapo atua, entre outras áreas, nos temas ligados aos direitos humanos, liberdade de expressão, cultura e arte, estabelecimento da equidade de gênero,desenvolvimento de políticas públicas e privadas nas áreas carentes do meio rural e urbano, além de estimular e promover pesquisas na área de cultura popular, meio ambiente e juventude. Terá como meta implementar 1.000 hectares por meio da regeneração natural assistida (RNA), estruturando 2 núcleos de fornecimento de sementes e 6 áreas de coleta para abastecer 18 viveiros. A iniciativa combina restauração em escala com fortalecimento comunitário e formação em gestão e associativismo.
Cooperativa Agrícola de Produtores do Oeste do Pará – CCAMPO – Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos
Cooperativa agrícola de produtores do oeste do Pará, que trabalha na produção de hortifrutis, derivados de mandioca e frutas e polpas. Tem como propósito o fortalecer da agricultura familiar e levar produtos regionais com e segurança para mesa dos consumidores. A CCAMPO terá como meta implantar 15 hectares de sistemas agroflorestais (SAF), focados na cadeia do açaí, cupuaçu, como projeto piloto replicável, promovendo diversificação produtiva, geração de renda e permanência da juventude no campo por meio da criação de novos empregos.
Cooperativa Agroindustrial Frutos da Amazônia – COAFRA – Castanhal
A COAFRA nasceu em Castanhal (PA) e tem com o propósito de fortalecer a produção rural e gerar prosperidade sustentável na Amazônia Paraense. Atua na valorização do agricultor, promove a mecanização agrícola, incentiva o beneficiamento local e impulsiona o desenvolvimento de comunidades rurais por meio da geração de renda capacitação técnica e sustentabilidade ambiental. A COAFRA terá com meta implementar 15 hectares de sistemas agroflorestais (SAF), além de estabelecer um viveiro comunitário em parceria com uma escola local. A proposta inclui capacitação de jovens e mulheres em técnicas de produção de mudas, manejo agroflorestal e empreendedorismo.
A Verde Nova é uma organização que atua no fortalecimento de coletores de sementes nativas impulsionando a restauração ecológica a um nível sistêmico.
Terá como meta restaurar 40 hectares por meio da regeneração natural assistida (RNA) e plantio direto, engajando cooperativas locais como foco nas mulheres. O projeto ainda apoiará a estruturação de uma rede comunitária de coletoras de sementes, fortalecendo o fornecimento de insumos para a restauração e a geração de renda para lideranças femininas.
Tribo Superfoods – Igarapé-Miri
A Tribo Superfoods é uma foodtech que combina inovação e saberes da floresta para oferecer bioingredientes únicos, gerar impacto nas comunidades tradicionais e preservar a floresta em pé. Atua na produção de diversos produtos a partir do açaí e cupuaçu. A empresa terá como meta implantar 16 hectares para recuperar áreas degradadas (RNA) por monocultura de açaí, promovendo diversificação produtiva com cacau, cupuaçu, castanha e outras espécies nativas, conectando restauração e mercado consumidor.
A Zeno Natural, produz e comercializa castanhas-do-brasil e cacau fino, promovendo a conservação e regeneração da floresta amazônica e a geração de renda justa para as comunidades do Rio Acará, no Pará.
Terá como meta implementar 30 hectares de Sistema Agroflorestal (SAF) e 50 hectares de regeneração natural assistida (RNA), estruturando o projeto em fases participativas do diagnóstico à implantação e manejo, fortalecendo a cadeia da castanha-do-Pará e do cacau fino com rastreabilidade e geração de renda justa.
Florestas Engenharia – Parauapebas
Empresa com atuação em implantação e gestão de projetos de reflorestamento na região de Parauapebas. Com foco em transformar paisagens degradadas em sistemas produtivos sustentáveis. Terá como meta a implantação de um viveiro modular com capacidade inicial de 500 mil mudas por ciclo e potencial de produção de até 4 milhões de mudas por ano até 2030.
Sobre os apoiadores
O WRI Brasil faz parte do World Resources Institute (WRI) e apoia projetos de proteção e restauração da natureza e estabilização do clima.
A Sitawi Finanças do Bem é uma organização sem fins lucrativos fundada em 2008 que desenvolve infraestrutura financeira para a Economia de Impacto.