A perda de florestas tropicais caiu 36% em 2025 em relação ao recorde de 2024, de acordo com novos dados da Universidade de Maryland (EUA) divulgados hoje pelo World Resources Institute (WRI) e disponíveis na plataforma Global Forest Watch (GFW) e no Global Nature Watch.

Grande parte da redução global foi impulsionada pelo Brasil, que abriga a maior floresta tropical do mundo. A redução na perda florestal do Brasil foi de 42,4%.

“O progresso do Brasil mostra o que é possível quando a proteção das florestas é tratada como uma prioridade nacional”, disse Mirela Sandrini, diretora executiva do WRI Brasil. “Mas a paisagem do Brasil está se tornando mais inflamável, e o aumento do risco de incêndios significa que a fiscalização por si só não será suficiente. Proteger esses avanços exigirá ampliar a prevenção liderada pelas comunidades e construir uma economia que recompense as florestas em pé.”

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De acordo com os dados, o Brasil perdeu em 2025 1,63 milhão de hectares (Mha) de florestas tropicais primárias (ou seja, as que ainda não foram significativamente alteradas pela ação humana). A área é equivalente a 2,8 vezes o território do Distrito Federal e contrasta com a perda de 2,83 Mha em 2024, o que representa uma redução total de 42,4%. 

Desse total, 65,2% foram ocasionados por incêndios e 34,8% ocorreram por motivos não associados a incêndios, como desmatamento e conversão de áreas naturais. Os números indicam a menor perda já registrada no Brasil desde o início da série histórica, em 2002.

Crédito HD Mídia Produções/WRI Brasil

Os estados que registraram maior queda no índice de perdas de florestas primárias foram o Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, todos com redução acima de 40%. Na contramão estão o Maranhão, que registrou aumento na perda florestal, e Rondônia, que permaneceu com um índice considerado elevado (215 mil hectares).

A queda coincide com o fortalecimento de políticas ambientais e da fiscalização, incluindo o relançamento do plano federal de combate ao desmatamento (PPCDAm) e o aumento das penalidades para crimes ambientais. “Poucos países têm tantas oportunidades para fazer uma transição para uma economia de baixo carbono quanto o Brasil”, explica Mirela Sandrini, do WRI Brasil. “Agora, o país precisa avançar na implementação de mecanismos para financiar a proteção da natureza, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e os mecanismos de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA)”.

Perda de florestas primárias no mundo

Em 2025, o mundo perdeu 4,3 milhões de hectares (Mha) de floresta tropical primária — uma área aproximadamente do tamanho da Dinamarca. Apesar da queda, a perda ainda é 46% maior do que há uma década, com florestas primárias desaparecendo a uma taxa de 11 campos de futebol por minuto.

“A redução na perda floresta da magnitude registrada em 2025 é algo animador — e demonstra o que ações governamentais decisivas podem alcançar”, afirmou Elizabeth Goldman, codiretora do Global Forest Watch, do World Resources Institute. “Mas parte dessa queda reflete uma trégua após um ano extremo de incêndios. Fogo e mudanças climáticas se retroalimentam e, com a previsão do El Niño para 2026, investimentos em prevenção e no enfrentamento à essa questão serão essenciais à medida que condições extremas propícias a incêndios se tornem a norma.”

Divulgação

Mesmo considerando os avanços recentes, a perda global de florestas ainda está muito acima do nível necessário para cumprir a meta de 2030 de interromper e reverter o desmatamento — compromisso assumido por mais de 140 países na Declaração de Líderes de Glasgow. Os níveis atuais estão cerca de 70% acima do desejado.

As florestas tropicais primárias são vitais para a estabilidade climática, a biodiversidade e para milhões de pessoas que dependem delas para alimentação, renda e proteção contra eventos climáticos extremos. Sua perda libera grandes quantidades de carbono e enfraquece uma das defesas naturais mais importantes do planeta contra as mudanças climáticas.

Ampliar ações para cumprir metas de 2030

Alcançar as metas globais dependerá de liderança política contínua, investimentos e da implementação eficaz de instrumentos como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e a regulamentação europeia contra o desmatamento (EUDR).

“O progresso observado em países como Brasil e Colômbia é encorajador — mas ainda incerto”, afirma Rod Taylor, diretor global de florestas do WRI. “São exemplos do que pode ser feito, mas também lembram o quanto o futuro das florestas depende de vontade política e resiliência diante das mudanças climáticas.” O ano de 2026 será decisivo — com a possível intensificação do El Niño aumentando o risco de incêndios e eleições nacionais em países-chaves podendo influenciar a continuidade desse progresso.

Sobre a metodologia de análise anual de dados de perda de cobertura arbórea

O Global Forest Watch, do World Resources Institute, fornece análises anuais sobre a perda global de cobertura arbórea, indicando quando e onde as florestas estão desaparecendo. Os dados — produzidos pelo laboratório GLAD (Global Land Analysis & Discovery) da Universidade de Maryland — capturam mudanças com resolução aproximada de 30 × 30 metros em todas as áreas terrestres do planeta, exceto a Antártica e outras ilhas do Ártico.

Neste ano, os dados também estarão disponíveis no Global Nature Watch, um sistema aberto baseado em inteligência artificial desenvolvido pelo WRI, que combina pesquisas revisadas por pares do Global Forest Watch e do Land & Carbon Lab em uma interface simples, no estilo de chat.

Sobre o WRI Brasil

O WRI Brasil faz parte do World Resources Institute (WRI). Fundado em 1982, o WRI conta com mais de 2.000 colaboradores que trabalham em mais de uma dúzia de países-chave e com parceiros em mais de 50 nações. 

Sobre o Global Forest Watch

O Global Forest Watch (GFW) oferece dados e ferramentas para monitoramento de florestas, além de análises sobre onde e por que elas estão mudando. Ao utilizar tecnologias de ponta, o GFW permite que qualquer pessoa acesse informações quase em tempo real sobre as mudanças florestais em todo o mundo. Desde seu lançamento, em 2014, mais de 9 milhões de pessoas de mais de 170 países já acessaram a plataforma.