Está muito claro nas propostas de governo dos candidatos à presidência da República que ambos têm caminhos opostos para a economia, sobretudo no que diz respeito à participação do Estado. Lula vem retomando o que foi privatizado ou deixado de lado desde quando reassumiu o governo; Flávio Bolsonaro quer privatizar mais. 

Enquanto Lula declara que a Petrobras vai retornar ao setor de distribuição de combustíveis, o programa de governo de Flávio informa que vai retomar o Programa Nacional de Desestatização “com critério”.

Qual seria o critério para dividir o controle do Banco do Brasil com o Bank of America? O lucro de R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre, seus 84,1 milhões de clientes ou a solidez de uma instituição centenária fundada ainda no período colonial?

Apesar de ter menos clientes que o BB, com 69 milhões de clientes, o  Bank of America engoliria o BB, por ser muito maior em capital e operações financeiras. 

Segundo o Relatório Reservado, o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, vem mantendo, conversas com interlocutores do governo norte-americano no sentido de o Bank of America eventualmente adquirir uma participação relevante no Banco do Brasil. “A arquitetura, caso Flávio venha a se eleger, contemplaria o ingresso do BofA no capital do BB sem que a União necessariamente tivesse de abrir mão do controle”.

O Relatório Reservado define a operação, se acontecer, como uma “espécie de privatização em pele de cordeiro”, com compartilhamento do poder decisório.

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“Os norte-americanos poderiam ter assento no conselho e participação ativa na administração do BB e na definição de suas estratégias, mas seriam minoritários no capital do “Brazilian Bank of America”.

Mas isso não seria uma tarefa fácil e requer engenharia financeira, pois a União já divide as ações com investidores privados e detém o mínimo necessário para permanecer no controle. O Tesouro não tem margem para vender participação sem perder capital votante. É em torno dessa restrição que estão sendo desenhados os primeiros croquis das arquiteturas financeira e societária. 

“Tudo na penumbra da campanha eleitoral. Não é assunto para ser tratado à luz do dia às vésperas da votação. Independentemente do modelo adotado ou da participação que caberia ao BofA, está se falando de um projeto de desnacionalização do Banco do Brasil”, afirma o Relatório Reservado.

Não é a primeira vez que se fala na privatização do BB. A assessora de campanha de Flávio, Daniella Marques, chegou a falar sobre essa possibilidade em evento recente. E Paulo Guedes, ex-ministro da economia de Jair Bolsonaro, já manifestou desejo da união dos dois bancos.

Enquanto isso, Lula diz no seu programa que a Petrobras continuará ampliando investimentos em exploração onshore e offshore, para recuperar participação no controle de reservas nacionais, e deverá expandir investimentos em revitalização de campos maduros. 

A retomada da BR, privatizada por seus antecessores, é um alvo. Desde sua volta, a Petrobras voltou a investir em fertilizantes, uma indústria fortemente dependente de importações. E revitalizou novamente o setor naval, que estava às moscas.

“Os conflitos internacionais evidenciaram a importância da autossuficiência em fertilizantes. Por isso a Petrobras retomou a produção com 3 unidades em Sergipe, Bahia, Paraná e as obras da unidade do Mato Grosso do Sul foram reiniciadas. No próximo governo, seguiremos acelerando a produção nacional de fertilizantes”, diz o programa petista. 

São escolhas a se fazer. No processo democrático, faz parte do jogo – e que bom  é poder  jogar, sigamos assim!