A pauta do saneamento entrou nos planos dos candidatos aos governos estaduais, mas ainda é superficial. A proposta de universalização aparece em 54 dos 62 (87%) planos dos candidatos com chances de vencer as eleições. Mas compromissos com metas aparecem em só 26% dos planos, conclui estudo do Instituto Trata Brasil, que reúne entidades do setor.
Os resultados revelam um quadro de ampla presença do tema saneamento, mas de profundidade ainda desigual: 44 planos (71%) apresentaram abordagem transversal e menos complexa. Drenagem é o segundo item mais citado, enquanto metas, governança e população vulnerável são os menos abordados nas campanhas.
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A pesquisa avaliou os planos de governo dos candidatos com maior chance de vitória ou de disputar o segundo turno em cada estado, segundo pesquisas Quaest e Datafolha, com corte em 15 de setembro e dados do TSE.
A metodologia cruza quatro eixos, planejamento e regionalização, viabilização de investimentos, governança e regulação, e metas tangíveis. Cada plano recebe uma classificação, de ausente a abrangente, de acordo com quantos eixos e propostas desenvolve e se assume compromisso verificável até o fim do mandato.

Mais de 43% da população brasileira não tem acesso a coleta de esgoto. Imagem: Divulgação/Trata Brasil
Treze planos de governo (21%) foram classificados como abrangentes, contemplando os quatro eixos avaliados, inclusive o compromisso com ao menos uma meta tangível; e cinco (8%) apresentaram abordagem superficial.
Historicamente, o saneamento recebeu menos prioridade no planejamento público do que obras de maior visibilidade. Enquanto 99,8% dos domicílios brasileiros têm acesso à energia elétrica, segundo a Aneel, em 2026, e 90,5% da população acessa a internet, segundo o IBGE, em 2025, o saneamento básico segue bem atrás, só 84,1% da população com acesso à água potável e 56,7%, coleta de esgoto, de acordo com o SINISA 2024.
“Em um momento decisivo, as eleições de 2026 ocorrem em uma janela importante, já que o mandato 2027–2030 será decisivo para o avanço do setor no país. É nesse cenário que o novo estudo do Instituto Trata Brasil analisa o grau de comprometimento com o saneamento dos 62 candidatos competitivos a governador”, justifica o instituto.